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jun 29
#paraCegoVer foto de rosto do Paulo Araújo sorrindo, em área externa com plantas ao fundo. Ele tem cabelos ondulados escuros, usa óculos de sol e blusa na cor salmão com cachecol colorido em volta do pescoço.

Cinco anos da LBI, como estamos?

#paraCegoVer foto de rosto do Paulo Araújo sorrindo, em área externa com plantas ao fundo. Ele tem cabelos ondulados escuros, usa óculos de sol e blusa na cor salmão com cachecol colorido em volta do pescoço.

#ParaCegoVer foto de rosto do Paulo Araújo sorrindo, em área externa com plantas ao fundo. Ele tem cabelos ondulados escuros, usa óculos de sol e blusa na cor salmão, com cachecol colorido em volta do pescoço.

  • Por Engº Paulo Nélson Araujo

Em julho, completam-se cinco anos que a LBI – Lei Brasileira de Inclusão foi sancionada. A LBI, também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência, precedida por outras tantas legislações correlatas, torna-se um marco legal importantíssimo para a sociedade brasileira reafirmando a dignidade deste numeroso grupo de cidadãs e cidadãos.

Há pouco mais de 20 anos tenho a honra de coordenar um grupo de profissionais responsável por centenas de obras e projetos de inclusão e adequação para acessibilidade, e também pelo desenvolvimento de novos produtos e tecnologias assistivas no Brasil e mais recentemente no exterior.

Em toda essa jornada, tivemos como premissa ir além das exigências das normas e legislações vigentes. Inovar e desenvolver ideias que realmente melhorem a vida das pessoas é o que nos encanta diante dos mais diversos tipos de demanda que chegam até nós diariamente.

Neste pequeno espaço, vou me ater rapidamente às questões de adequação física de áreas públicas e privadas de uso público, convidando você a uma reflexão que não se encerrará aqui.

Será que esta importante parcela da sociedade (as pessoas com deficiência) se sente mais atendida para realizar as suas atividades diárias? Será que essas pessoas estão mais incluídas e respeitadas em seus locais de trabalho, no acesso à cultura, ao estudo e ao lazer? E nos meios de transporte? As estações e terminais estão aptos a receber este público e dar condições de se movimentar normalmente para o exercício da cidadania? E nas habitações? Como serão os novos projetos para uma época em que teremos que passar mais e mais tempo dentro de nossas casas? Será que os critérios construtivos realmente levam em consideração a pessoa com deficiência, ou mobilidade reduzida, e também os idosos?

Nossa equipe, há tempos tem atuado fortemente na adequação de espaços culturais, escolas, agências bancárias, cinemas, museus, centros de compras, complexos corporativos, hotéis, hospitais, arenas esportivas, centros religiosos, edifícios residenciais e cidades, dentre outros locais, costumeiramente com alguma resistência por parte dos contratantes, seja por questões financeiras, por falta de informações ou empatia. Posso afirmar através de nossa experiência, que a LBI ajudou e muito para que leis que “não pegaram” se fortalecessem. Apesar de todos os percalços e dificuldades na implementação da LBI em sua totalidade, eu, particularmente, creio que temos muito a comemorar.

Hoje é mais comum chegarmos à uma exposição cultural e nos depararmos com mapas e trilhas táteis, vídeos com LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e réplicas táteis de obras de arte. É corriqueiro andarmos por calçadas e agências bancárias com pisos táteis (nem sempre instalados da maneira correta), as rampas e plataformas elevatórias passaram a fazer parte do nosso cotidiano. Placas Braille se multiplicaram e os ‘pontinhos’ passaram a compor os projetos de sinalização visual com maior frequência.

Mas como avançar ainda mais no cumprimento da legislação? Como fazer com que mais e mais empreendimentos e municípios cumpram a legislação, não apenas temendo sanções, mas simplesmente por respeito ao ser humano em toda a sua diversidade?

Em tempos de desrespeito acentuado aos direitos mais básicos do cidadão, como poderemos juntos, cooperativamente, fazer com que este movimento de melhoria dos espaços públicos ganhe mais força? Para que um dia a rampa não seja mais aquele remendo arquitetônico por vezes construída fora dos padrões legais. Como fazer para que todas as pessoas, sem exceção, possam ter suas experiências, cada uma à sua maneira? Seja visitando um museu, pedindo um prato em um restaurante, acessando o transporte público, enfim, viver a vida e o dia a dia sem restrições de nenhum tipo.

Sei que isso pode parecer romântico, mas nós da Casa do Braile e da Paju S/A trabalhamos incansavelmente para realizarmos esse sonho, para que muito em breve as cidades sejam uma enorme rota acessível, não apenas urbanisticamente, mas sim, para o pleno exercício de nossos direitos.

*Engº Paulo Nélson Araujo: Proprietário da Paju S/A Engenharia e responsável pelas obras e projetos da Casa do Braille Comunicação Visual e Tátil, empresas que atuaram em adequações de espaços como o Memorial da América Latina, Rede dos Sonhos Hotéis, Museu do Amanhã, Museu do Futebol, Shopping Manauara, Arena de Tênis das Olimpíadas RIO 2016, diversas exposições do Itaú Cultural, dentre outros projetos de inclusão. Recentemente o grupo se instalou em Lisboa – Portugal iniciando suas atividades na União Européia.

 

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