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jul 07
#ParaCegoVer Foto da Rute da Specialisterne de corpo do rosto até altura da cintura e em fundo roxo. Ela sorri, tem cabelos pretos, lisos, longos abaixo dos ombros. Veste blusa branca de manga curta e lisa, decote em V e seus braços estão esticados ao lado do corpo.

Autismo e Acessibilidade no Mercado de Trabalho

#ParaCegoVer Foto da Rute da Specialisterne de corpo até altura da cintura e em fundo roxo. Ela sorri, tem cabelos pretos, lisos, longos abaixo dos ombros. Veste blusa branca de manga curta e lisa, decote em V e seus braços estão esticados ao lado do corpo.

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* Por Rute Rodrigues

Quando falamos em autismo pensamos em um transtorno específico do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits específicos na área da comunicação e interação social e por padrões restritos e repetitivos de comportamento.

O termo espectro do autismo refere-se às condições distintas que podem ser encontradas dentro do transtorno. A heterogeneidade das manifestações comportamentais, os diferentes graus de acometimento, e os prováveis múltiplos fatores etiológicos, também justificam esse termo. Os déficits neurocognitivos associados à cognição social, de igual modo, adicionam informações importantes sobre o funcionamento destes indivíduos.

Considerando a amplitude das redes que se relacionam no transtorno do espectro autista, cada aspecto apontado se configura de forma única em cada pessoa que apresenta o diagnóstico. Neste momento surge a grande pergunta: Como promover políticas públicas e acessibilidade para um grupo tão diverso? Como se dá o acesso ao mercado de trabalho?

Lembrando que as pessoas com autismo foram incluídas no conceito legal de pessoa com deficiência, de acordo com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU e ratificadas pela Lei Berenice Piana, em 2012, algumas diretrizes foram definidas para garantir a igualdade de oportunidades para acesso ao mercado de trabalho.

Acessibilidade significa incluir a pessoa com deficiência na participação plena de todas as dimensões da vida. Para isso, os governos precisam tomar medidas que busquem eliminar os obstáculos existentes, que podem estar no meio físico, serviços, na informação e comunicação, entre outros. As medidas de acessibilidade também implicam a promoção de assistência e apoio que assegurem o acesso a informação e a formação dos atores envolvidos, em relação as questões com as quais o público com deficiência enfrenta.

A Specialisterne é uma organização social de origem Dinamarquesa, criada em 2004, com o objetivo específico de incluir e promover acessibilidade para adultos com autismo. Sendo assim, desenvolveu e aprimorou métodos de avaliação, capacitação e acompanhamento de profissionais neurodiversos, focados principalmente em atividades relacionadas à Tecnologia da Informação.

Presente no Brasil desde 2015, a Specialisterne já promoveu a inclusão profissional de mais de 100 pessoas com autismo. O caminho para a acessibilidade deste grupo possui uma rede complexa iniciada por um período de capacitação que auxilia na construção do perfil profissional e no entendimento das adaptações que serão necessárias no ambiente de trabalho. Com o objetivo de promover a acessibilidade de informações e comunicação, as adaptações iniciam no ato da entrevista e continuam na rotina de trabalho. Antes da inserção também é promovido um treinamento sobre neurodiversidade para todos os setores e pessoas envolvidas no processo de contratação, explicando sobre o diagnóstico, as características específicas do individuo e os apoios que serão necessários no ambiente.

A partir de nossa experiência com diversas empresas que proporcionam a inclusão de pessoas neurodiversas, verificamos resultados extremamente positivos para as pessoas e para as empresas, onde os talentos das pessoas neurodiversas fazem a diferença nos resultados econômicos e contribuem para uma cultura organizacional mais humana, equânime e diversa.

Considerando que os últimos estudos realizados apontam para a prevalência de autismo na sociedade sendo de 1 para cada 54 pessoas, a jornada para a inclusão deste grupo ainda é longa. Trilhamos esse caminho celebrando cada passo dado e disseminando conhecimento para que muitas outros comecem a percorrer esse trajeto conosco.

 

Rute Rodrigues

Gerente de Formação – Specialisterne Brasil

Bibliografia

Klin, A. (2006). Autismo e Síndrome de Asperger: Uma visão geral. Revista Brasileira de psiquiatria, 28, 3 – 11

Austin, Robert D.; Pisano, Gary P. Neurodiversidade como vantagem competitiva. Harvard Business Review Brasil. Jun 2017. Disponível em <http://hbrbr.uol.com.br/neurodiversidade-como-vantagem-competitiva1/> acesso em 16 de junho de 2017

PISULA, E. The autistic mind in the light of neuropsychological studies. Acta Neurobiologiae Experimentalis, Poland, v.70, p.119-130, 2010.

 

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