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jul 09
#ParaCegoVer Foto da Carolina de rosto e colo, em ambiente externo com plantas ao fundo. Ela está sorrindo, tem pele branca e cabelos loiros nos ombros, usa franja. Veste uma camisa social branca e um blaser na cor terra.

Sustentabilidade e Acessibilidade andam de mãos dadas

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#ParaCegoVer Foto da Carolina de rosto e colo, em ambiente externo com plantas ao fundo. Ela está sorrindo, tem pele branca e cabelos loiros nos ombros, usa franja. Veste uma camisa social branca e um blaser na cor terra.

* Por Carolina “Lilla” Cominotti

Desde 1988, o direito de ir e vir é assegurado a todos os cidadãos pela Constituição Brasileira. No entanto, no cotidiano das nossas cidades, nem sempre essa premissa legal se desdobra a ponto de contemplar de fato todos seus cidadãos. E os desafios começam já na porta de casa.

Degraus, irregularidades, rachaduras, buracos, poças, lixo e barreiras de toda sorte transformam o trajeto daqueles que optam por circular a pé em uma verdadeira corrida de obstáculos. O que é encarado como dificuldade para quem não tem nenhum problema, se torna um impeditivo para aqueles que tem.

Atualmente quase 25% da população brasileira tem mobilidade reduzida. Nessa condição encontram-se todas as pessoas cujos movimentos são limitados de forma temporária ou permanente e que têm dificuldades de locomover-se por estarem com sua flexibilidade, percepção e coordenação motora comprometidas. São obesos, gestantes, deficientes físicos e idosos. Cabe ressaltar que nossa população também está envelhecendo: hoje temos a 5ª população mais idosa do mundo. Estima-se que em 2030 a população de idosos já terá superado a de crianças no nosso país.

É frequente constatarmos que o planejamento urbano não leva em conta todos os tipos de pessoas e como elas usam a cidade, os espaços públicos e os sistemas de transporte. Quando pensamos no ambiente urbano é necessário ampliar o escopo do que entendemos por mobilidade. Para aprimorar a mobilidade de uma cidade não basta um olhar cuidadoso apenas para veículos e itinerários, mas sim para como as pessoas se deslocam pelo espaço urbano e essencialmente como elas entram e saem desses veículos. É preciso estruturar um sistema de mobilidade urbana que acomode e ampare as diversas formas de se locomover pela cidade. E isso passa por todos os modais: andar a pé, de bicicleta, de ônibus, de metrô, de moto, de carro. E claro, integrá-los.

Vale lembrar que, por mais que tenhamos o hábito de nos definir como “pedestres”, “ciclistas”, “motoristas”, “motociclistas”, a mobilidade urbana é feita primeiramente de pessoas. Pessoas que escolhem como circular pela cidade. E a necessidade de cada indivíduo é diferente e varia, para além de seus atributos físicos, de acordo com o motivo da viagem, sua disponibilidade de tempo, energia, recursos e até mesmo das condições meteorológicas. Não é esperado, por exemplo, que alguém que acabou de sair de uma festa de casamento volte para casa pedalando depois de beber e usando um vestido longo. Nesse caso é mais conveniente chamar um taxi ou um carro de aplicativo.

Para melhorar a eficiência de seus sistemas de mobilidade as cidades devem oferecer um leque de opções sustentáveis e acessíveis para que qualquer cidadão possa escolher o que atende melhor ao seu direito de ir e vir. Cabem aos governos locais assegurarem que essas opções atendam ao interesse público e sejam pautadas pelas diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, através de seus Planos de Mobilidade.

Atualmente mobilidade sustentável e planejamento urbano são apenas alguns dos principais desafios enfrentados pelas cidades brasileiras. Para tornarmos as cidades sustentáveis, equânimes, saudáveis e resilientes que queremos e precisamos ser é importante lembrar que a sustentabilidade é um conceito ancorado em três pilares: social, econômico e ambiental. E nunca chegaremos lá deixando pessoas para trás. Adotar políticas públicas que pavimentem o caminho para a construção da sociedade que queremos é o caminho. Sustentabilidade e acessibilidade andam de mãos dadas. Afinal deficientes não são as pessoas e sim as cidades que não as atendem.

* Carolina “Lilla” Cominotti é arquiteta e urbanista pela Universidade Mackenzie em São Paulo. É mestre em Espaços Públicos e Abordagens de Projetos pelo Instituto de Urbanismo de Paris (IUP), onde se especializou na humanização das cidades através da mobilidade ativa. Com mais de dez anos de experiência em desenho urbano, Carolina já trabalhou para as Prefeituras de Paris e de São Paulo, sempre projetando ruas, espaços urbanos e políticas públicas que priorizam pedestres e ciclistas.

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